Oi! Desta vez não demorei, porque sei que alguns de vocês já devem estar curiosos para saber o desfecho desta minha história.
A diferença desta postagem para as outras é que esta não é devaneio nem divagação, é a pura realidade em que conto um pouco da trajetória da minha vida. Apesar de ser apenas uma sinopse, não contendo todos os detalhes pois isto seria impossível, espero que sirva para fortalecer alguém que esteja passando por situações difíceis neste momento.
Continuando a postagem anterior, como eu não tinha o que vestir adequadamente, e nem sempre tinha dinheiro, pelo menos para gastos mais elevados, eu era menosprezado pela turma. Ninguém me chamava para lugar nenhum, e se eu já tinha um trauma por ser um excluído materialmente, isto me machucava muito porque também o era socialmente. O que veio a reforçar o antigo ditado de "que a pessoa só vale o que tem."
Foi então que descobri que estava do lado errado, quando passei a frequentar uma favela próxima de minha casa. Fiz amizades, e as pessoas nunca reparavam no que eu estava vestindo, ou se tinha dinheiro. Apenas me aceitavam do jeito que eu era. Aquele era verdadeiramente o meu habitat.
O fato de eu ter passado a frequentar uma favela, e ter feito amizades, não teria importância se fossem as amizades certas. Mas não eram. E eu demorei a perceber isto. Até porque a forma diferenciada com que me tratavam, e as demonstrações de carinho que me dispensavam não deixavam dúvidas de que aquelas pessoas realmente gostavam de mim. Com eles eu me sentia um ser humano, daí eu achar normal quando fui apresentado pela primeira vez às "drogas". Amigos esta parte poderia ser a derradeira da minha vida. Eu poderia não estar mais aqui para contar esta história. Mas não foi assim.
Quando digo que esta parte poderia ser o final da minha história, eu quero dizer que de todas as drogas que experimentei, a que mais eu gostava era cocaína, de preferência injetada na veia. O que fazia com que seu uso fosse muito mais perigoso do que ela simplesmente inalada.
Mesmo assim eu ainda não me tornara um viciado, pois não era sempre que eu tinha vontade, isto só ocorria quando eu ingeria álcool. Este sim me dominou de uma maneira tão avassaladora, que passou a reger minhas vontades. Eu não fazia nada sem que primeiro tivesse que tomar uma dose. Se ia comer, se ia a um passeio, se ia a qualquer lugar seja porque motivo fosse, o álcool vinha na frente. Nada tinha graça se não fosse movido pelo álcool. Até as drogas como eu disse eram motivadas pela bebida, que é a porta de entrada que conduz ao uso de outras substâncias mais pesadas.
Minha gente! hoje eu vejo com espanto o quanto é fácil se introduzir por este caminho, e o quanto é frágil o mecanismo de defesa que deveria evitar a inclusão de novos adeptos. Muito ao contrário o que se vê são propagandas que incentivam ainda mais o consumo. Porque ainda tratam deste assunto de forma tão tímida, se já está comprovado que a maioria das mortes, agressões, colisões de veículos, guerras urbanas, desemprego, separações, além de várias outras tragédias e atrocidades são motivadas pelo uso excessivo do álcool ou drogas, ou os dois juntos?
Portanto amigos, a minha caminhada para o inferno, não foi quando eu comecei a usar drogas, pois não cheguei a me viciar, e administrava até relativamente bem o meu consumo. Mas sim quando comecei a ingerir álcool. (Quero lembrar que este era o meu caso específico, não querendo dizer com isto que o efeito de um seja mais brando que o outro).
Na minha época havia mais respeito a lei. Um adolescente menor de idade, além de não poder consumir bebida alcoólica, não podia comprar, e nem no estabelecimento onde se negociava estes produtos ele poderia permanecer. Havia também a repreensão dos adultos que muito ao contrário do que acontece hoje quando muitos incentivam, estes dificultavam o acesso das crianças não só com relação ao álcool, como também ao fumo e a pornografia. Nestes casos a lei era bastante rígida, e como não poderia deixar de ser, eu só comecei aos 18 anos.
Na minha época havia mais respeito a lei. Um adolescente menor de idade, além de não poder consumir bebida alcoólica, não podia comprar, e nem no estabelecimento onde se negociava estes produtos ele poderia permanecer. Havia também a repreensão dos adultos que muito ao contrário do que acontece hoje quando muitos incentivam, estes dificultavam o acesso das crianças não só com relação ao álcool, como também ao fumo e a pornografia. Nestes casos a lei era bastante rígida, e como não poderia deixar de ser, eu só comecei aos 18 anos.
Quando eu disse que é fácil e simples o ingresso para este mundo nefasto, eu quero dizer o seguinte: Atentem para este detalhe que é muito importante! Aos 15 ou 16 anos quando comecei a fazer uso de tóxicos, eu poderia aí já estar iniciando o meu processo de degradação, mas por incrível que pareça o meu organismo era imune às drogas chamadas ilícitas. Vejam bem! "eu" não me viciei, mas isto não quer dizer que não poderia acontecer. Quanto ao álcool já foi diferente, parecia até que eu já tinha nascido viciado de tanta que era minha vontade de beber. Comecei a consumir com uma voluptuosidade que parecia que eu queria suprir o meu organismo desta necessidade desde que nasci. Daí a explicação para eu ficar de água na boca quando via alguém bebendo, sem que eu ainda tivesse experimentado. Você que é fumante, viciado em drogas ou álcool, sabe do que estou falando. Se você tem uma rotina para o uso destas substâncias, ou seja, se você faz uso de 10 em 10 minutos e passar 20 minutos sem usar, ou usa de meia em meia hora e passa 1 hora sem usar, a tendência é que você use em dobro, pois há a necessidade de repor ao organismo aquela quantidade em que ele ficou sem. E acho que foi isso que aconteceu comigo. Talvez tenha herdado o genes de algum parente distante, já que não possuo nenhum próximo dados a esta prática, que já nasci com esta vontade inconsciente.
E o perigo está justamente aí. Vou tentar explicar com algumas ilustrações: Assim como eu disse antes que conseguia administrar o uso das drogas a exemplo do que não acontecia com a bebida, existem pessoas que também possuem esta virtude (se é que se pode chamar assim), no sentido contrário. Vejam só! eu conheci pessoas viciadas em maconha ou cocaína que levavam uma vida normal, cuidando de suas famílias e mantendo-se em seus empregos. Enquanto outros que não tinham este controle, simplesmente piraram, perderam emprego, família até praticaram ilícitos para poderem manter os seus vícios. Outros até caíram na sarjeta. O que foi o meu caso. Somente nunca me apropriei de nada alheio, talvez por isso tenha conseguido sair sem sequelas mentais já que físicas eu não pude evitar. Portanto a resposta é simples! Uns são fracos para bebida, e outros são fracos para as drogas. Por isto a importância de se puderem, nem experimentar, pois fica difícil para a pessoa saber se vai se viciar ou não, se o seu organismo é fraco ou forte, se vai saber consumir com controle, sabendo a hora de parar, ou se é compulsivo assim como eu e só parava quando fechava o último estabelecimento. Ou quando o dinheiro acaba. Ou quando cai em coma alcoólica. Só mesmo quando experimentarem é que saberão.
Um amigo sempre me disse esta frase: " O que não é visto, não é lembrado", e isto vem de encontro justamente às propagandas que incentivam o uso do álcool. Se não fossem elas acho eu, não haveria tanta motivação. Gente! Caiam na real. isto é um veneno. Se por um lado "você" consegue obter controle sobre a bebida parando quando acha que já bebeu o suficiente, o mesmo pode não acontecer com outras pessoas. Quem sabe com seus filhos no futuro? E você fazendo uso, e incentivando esta prática, está desde já municiando a arma que vai destruí-lo amanhã.
Meus amigos! Eu tenho 53 anos, mas posso dizer que só comecei realmente a viver há 15 anos atrás, que foi quando deixei o vício da bebida. Faço questão de frisar que não procurei ajuda exterior de forma alguma. Consegui com a minha força de vontade, através do poder da minha mente. O que não é um mérito só meu, todos nós podemos qualquer coisa, é só querermos. Todos temos o mesmo potencial, é só trabalharmos nele. (detalhe: deixei também de fumar, vício que iniciei antes da bebida e das drogas).
O que aconteceu entre os meus 15 anos até os 38 quando realmente me libertei de todos os vícios, é uma história a parte. Quem sabe eu ainda conte alguma coisa neste blog? O fato é que praticamente joguei fora 24 anos da minha vida. Quantas coisas não se constrói neste tempo? Enquanto eu só destruí. Mas isto não me desmotivou e hoje abraço esta bandeira que é: (mantenha a mente e o planeta limpos), para tentar alertar aos nossos jovens que serão os dirigentes de amanhã, da necessidade de estarem lúcidos, e serem capazes de enxergar estas armadilhas que chegam até eles na forma de propagandas subliminares. E encerro afirmando: (Se o jovem está sóbrio, o futuro do planeta está garantido).
Obs.: Meus amigos, vocês não têm ideia de como faz bem a gente por para fora todas as impurezas do passado, para que pensamentos bons possam povoar a nossa mente.
Um grande abraço, e até a próxima.





