sexta-feira, 9 de novembro de 2007

COMO É BOM VIVER 3


Oi! Desta vez não demorei, porque sei que alguns de vocês já devem estar curiosos para saber o desfecho desta minha história.


A diferença desta postagem para as outras é que esta não é devaneio nem divagação, é a pura realidade em que conto um pouco da trajetória da minha vida. Apesar de ser apenas uma sinopse, não contendo todos os detalhes pois isto seria impossível, espero que sirva para fortalecer alguém que esteja passando por situações difíceis neste momento.


Continuando a postagem anterior, como eu não tinha o que vestir adequadamente, e nem sempre tinha dinheiro, pelo menos para gastos mais elevados, eu era menosprezado pela turma. Ninguém me chamava para lugar nenhum, e se eu já tinha um trauma por ser um excluído materialmente, isto me machucava muito porque também o era socialmente. O que veio a reforçar o antigo ditado de "que a pessoa só vale o que tem."


Foi então que descobri que estava do lado errado, quando passei a frequentar uma favela próxima de minha casa. Fiz amizades, e as pessoas nunca reparavam no que eu estava vestindo, ou se tinha dinheiro. Apenas me aceitavam do jeito que eu era. Aquele era verdadeiramente o meu habitat.


O fato de eu ter passado a frequentar uma favela, e ter feito amizades, não teria importância se fossem as amizades certas. Mas não eram. E eu demorei a perceber isto. Até porque a forma diferenciada com que me tratavam, e as demonstrações de carinho que me dispensavam não deixavam dúvidas de que aquelas pessoas realmente gostavam de mim. Com eles eu me sentia um ser humano, daí eu achar normal quando fui apresentado pela primeira vez às "drogas". Amigos esta parte poderia ser a derradeira da minha vida. Eu poderia não estar mais aqui para contar esta história. Mas não foi assim.


Quando digo que esta parte poderia ser o final da minha história, eu quero dizer que de todas as drogas que experimentei, a que mais eu gostava era cocaína, de preferência injetada na veia. O que fazia com que seu uso fosse muito mais perigoso do que ela simplesmente inalada.


Mesmo assim eu ainda não me tornara um viciado, pois não era sempre que eu tinha vontade, isto só ocorria quando eu ingeria álcool. Este sim me dominou de uma maneira tão avassaladora, que passou a reger minhas vontades. Eu não fazia nada sem que primeiro tivesse que tomar uma dose. Se ia comer, se ia a um passeio, se ia a qualquer lugar seja porque motivo fosse, o álcool vinha na frente. Nada tinha graça se não fosse movido pelo álcool. Até as drogas como eu disse eram motivadas pela bebida, que é a porta de entrada que conduz ao uso de outras substâncias mais pesadas.

Minha gente! hoje eu vejo com espanto o quanto é fácil se introduzir por este caminho, e o quanto é frágil o mecanismo de defesa que deveria evitar a inclusão de novos adeptos. Muito ao contrário o que se vê são propagandas que incentivam ainda mais o consumo. Porque ainda tratam deste assunto de forma tão tímida, se já está comprovado que a maioria das mortes, agressões, colisões de veículos, guerras urbanas, desemprego, separações, além de várias outras tragédias e atrocidades são motivadas pelo uso excessivo do álcool ou drogas, ou os dois juntos?

Portanto amigos, a minha caminhada para o inferno, não foi quando eu comecei a usar drogas, pois não cheguei a me viciar, e administrava até relativamente bem o meu consumo. Mas sim quando comecei a ingerir álcool. (Quero lembrar que este era o meu caso específico, não querendo dizer com isto que o efeito de um seja mais brando que o outro). 

Na minha época havia mais respeito a lei. Um adolescente menor de idade, além de não poder consumir bebida alcoólica, não podia comprar, e nem no estabelecimento onde se negociava estes produtos ele poderia permanecer. Havia também a repreensão dos adultos que muito ao contrário do que acontece hoje quando muitos incentivam, estes dificultavam o acesso das crianças não só com relação ao álcool, como também ao fumo e a pornografia. Nestes casos a lei era bastante rígida, e como não poderia deixar de ser, eu só comecei aos 18 anos.

Quando eu disse que é fácil e simples o ingresso para este mundo nefasto, eu quero dizer o seguinte: Atentem para este detalhe que é muito importante! Aos 15 ou 16 anos quando comecei a fazer uso de tóxicos, eu poderia aí já estar iniciando o meu processo de degradação, mas por incrível que pareça o meu organismo era imune às drogas chamadas ilícitas. Vejam bem! "eu" não me viciei, mas isto não quer dizer que não poderia acontecer. Quanto ao álcool já foi diferente, parecia até que eu já tinha nascido viciado de tanta que era minha vontade de beber. Comecei a consumir com uma voluptuosidade que parecia que eu queria suprir o meu organismo desta necessidade desde que nasci. Daí a explicação para eu ficar de água na boca quando via alguém bebendo, sem que eu ainda tivesse experimentado. Você que é fumante, viciado em drogas ou álcool, sabe do que estou falando. Se você tem uma rotina para o uso destas substâncias, ou seja, se você faz uso de 10 em 10 minutos e passar 20 minutos sem usar, ou usa de meia em meia hora e passa 1 hora sem usar, a tendência é que você use em dobro, pois há a necessidade de repor ao organismo aquela quantidade em que ele ficou sem. E acho que foi isso que aconteceu comigo. Talvez tenha herdado o genes de algum parente distante, já que não possuo nenhum próximo dados a esta prática, que já nasci com esta vontade inconsciente.

E o perigo está justamente aí. Vou tentar explicar com algumas ilustrações: Assim como eu disse antes que conseguia administrar o uso das drogas a exemplo do que não acontecia com a bebida, existem pessoas que também possuem esta virtude (se é que se pode chamar assim), no sentido contrário. Vejam só! eu conheci pessoas viciadas em maconha ou cocaína que levavam uma vida normal, cuidando de suas famílias e mantendo-se em seus empregos. Enquanto outros que não tinham este controle, simplesmente piraram, perderam emprego, família até praticaram ilícitos para poderem manter os seus vícios. Outros até caíram na sarjeta. O que foi o meu caso. Somente nunca me apropriei de nada alheio, talvez por isso tenha conseguido sair sem sequelas mentais já que físicas eu não pude evitar. Portanto a resposta é simples! Uns são fracos para bebida, e outros são fracos para as drogas. Por isto a importância de se puderem, nem experimentar, pois fica difícil para a pessoa saber se vai se viciar ou não, se o seu organismo é fraco ou forte, se vai saber consumir com controle, sabendo a hora de parar, ou se é compulsivo assim como eu e só parava quando fechava o último estabelecimento. Ou quando o dinheiro acaba. Ou quando cai em coma alcoólica. Só mesmo quando experimentarem é que saberão.

Um amigo sempre me disse esta frase: " O que não é visto, não é lembrado", e isto vem de encontro justamente às propagandas que incentivam o uso do álcool. Se não fossem elas acho eu, não haveria tanta motivação. Gente! Caiam na real. isto é um veneno. Se por um lado "você" consegue obter controle sobre a bebida parando quando acha que já bebeu o suficiente, o mesmo pode não acontecer com outras pessoas. Quem sabe com seus filhos no futuro? E você fazendo uso, e incentivando esta prática, está desde já municiando a arma que vai destruí-lo amanhã.

Meus amigos! Eu tenho 53 anos, mas posso dizer que só comecei realmente a viver há 15 anos atrás, que foi quando deixei o vício da bebida. Faço questão de frisar que não procurei ajuda exterior de forma alguma. Consegui com a minha força de vontade, através do poder da minha mente. O que não é um mérito só meu, todos nós podemos qualquer coisa, é só querermos. Todos temos o mesmo potencial, é só trabalharmos nele. (detalhe: deixei também de fumar, vício que iniciei antes da bebida e das drogas).

O que aconteceu entre os meus 15 anos até os 38 quando realmente me libertei de todos os vícios, é uma história a parte. Quem sabe eu ainda conte alguma coisa neste blog? O fato é que praticamente joguei fora 24 anos da minha vida. Quantas coisas não se constrói neste tempo? Enquanto eu só destruí. Mas isto não me desmotivou e hoje abraço esta bandeira que é: (mantenha a mente e o planeta limpos), para tentar alertar aos nossos jovens que serão os dirigentes de amanhã, da necessidade de estarem lúcidos, e serem capazes de enxergar estas armadilhas que chegam até eles na forma de propagandas subliminares. E encerro afirmando: (Se o jovem está sóbrio, o futuro do planeta está garantido).

Obs.: Meus amigos, vocês não têm ideia de como faz bem a gente por para fora todas as impurezas do passado, para que pensamentos bons possam povoar a nossa mente.

Um grande abraço, e até a próxima.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

COMO É BOM VIVER 2


Alô amigos! Demorei mas estou de volta. E hoje trago a 2ª parte de alguns trechos de minha vida que estou apresentando como exemplo, para que vá de encontro a alguém que esteja passando pelas mesmas coisas que eu passei, e ache que a vida não vale a pena.


Continuando a postagem anterior, apesar de extravasar toda a minha revolta brigando e fugindo do colégio interno, nada disso adiantaria. Toda vez que eu fugia minha mãe me levava de volta, e devido a todas estas minhas traquinagens fui separado dos outros alunos para não exercer má influência sobre eles. E com isso o tempo foi passando e querendo ou não, aos trancos e barrancos consegui terminar o fundamental (na época primário), e com 12 anos saí do colégio. Isto foi para mim a maior felicidade. Eu só não sabia o quanto estava errado.


Naquele tempo o país era regido pelo "regime militar", por isso a forma de educar nos colégios era outra. Existia a matéria "moral e cívica" que ensinava os deveres morais do cidadão para com a sociedade e seu país. Na abertura das aulas nós éramos obrigados a entrar em formação (como os militares), e cantar o hino nacional e o da bandeira. E não havia como alegar que não sabia, pois todos os cadernos vinham impressos na última capa as letras destes hinos assim como seus devidos autores.


Em razão disto nos era passada uma visão de "direita", e se mais tarde já com outra ótica alguém discordasse e manifestasse este descontentamento, era tratado como um revolucionário um subversivo, sofrendo quando preso as piores torturas, quando não era levado para algum lugar de onde nunca mais seria visto. Não vou enaltecer aqui estas práticas. Mas se o remédio era amargo, o efeito era eficaz. Havia mais ordem no país.


Vejam bem amigos! Antes de minha mãe me internar o meu futuro era incerto, pois da maneira que eu caminhava, sem que quisesse estudar, e me misturando com outros iguais ou pior que eu, não havia perspectiva alguma que eu viesse a ser alguém do bem. E foi o que aconteceu. O colégio apenas retardou o que já era inevitável. Se ao sair do colégio eu pelo menos usasse como base os seus ensinamentos, talvez meu destino tivesse sido diferente. Pois mesmo com seus métodos poucos ortodoxos, a coisa funcionava. E eu aprendi em 3 anos e meio lá dentro, o que levaria 10 para aprender aqui fora. Tudo era minuciosamente cronometrado. Tinha hora para tudo. Desde que acordávamos e entrávamos em forma (ficar em fila), para escovar os dentes e tomar banho, até quando íamos dormir quando tínhamos que entrar em forma novamente para a chamada (isto era feito para verificar se não faltava ninguém, mas algumas vezes faltava... eu).


Por essa razão, quando saí do colégio interno deparei com uma realidade totalmente diferente. Eu já não tinha comida na hora certa, muitas vezes nem comida tinha. Quadro que mudou um pouco quando meu irmão começou a trabalhar e ajudar em casa. O seu salário era um pouco para ajudar em casa, e um pouco para suas despesas pessoais, que na época eram comprar um corte de tecido e mandar fazer uma camisa ou calça da moda (no meu tempo isto era o status do momento), ir ao baile ou ao cinema com a namorada, passeio e outras coisas pessoais que não convém citar aqui. Bem! com o seu trabalho resolveu-se em parte o problema de alimentação, e seu problema de vestimentas e lazer. Mas o dinheiro era dele. Ele não iria tirar do que ganhou com o seu suor, para me dar sem mais nem menos. Em vista disto eu continuei na mesma situação. Só um pouco diferente. Ou seja! Eu já não passava fome e nem usava roupas dos outros, e sim do meu irmão quando ele já não as queria mais, ou que já estivessem fora de moda. Além disso nós tínhamos uma tia, irmã de meu pai, que ajudava em alguma coisa. Claro que em troca também de alguns favores como: Ir no armazém comprar algo; ajudá-la na limpeza da casa vasculhando o teto ou limpando a fossa, e mais alguns afazeres que em virtude de sua idade (ela já era idosa), ficava meio penoso para ela. Eu não achava ruim. Pelo contrário, achava até louvável esta recíproca, pois fortalecia ainda mais a ideia que eu sempre tive de que para se ganhar algum dinheiro honesto, só executando um trabalho honesto. Isto fazia com que eu valorizasse mais o dinheiro ganho, e também afastasse a ideia de que estávamos ganhando esmola.


Acontece meus amigos, que isto não bastava, porque nem sempre minha tia pagava com dinheiro, muitas da vezes meus serviços eram pagos com um bocado de comida, fubá ou pó de café, enfim! O que ela tivesse a disposição no momento. E eu necessitava de outras coisas. Devo lembrar que eu tinha na época 13 anos, portanto ainda não tinha idade para trabalhar de carteira assinada, e ia me virando como podia, catando ferro, lata, alumínio, metal. O que desse algum dinheiro no ferro velho, que me permitiria não comprar ou mandar fazer roupas novas, mas ir ao cinema, tomar refrigerantes e "comprar cigarros" nem que fosse a varejo.


Este hábito eu adquiri logo que estava para sair do colégio quando minha mãe já confiando um pouco mais em mim, assinou um termo de responsabilidade que permitia que nos dias de saída para passar o final de semana em casa, eu pudesse ir sozinho. Isto porque as saídas eram mensais, e pelo fato de as vezes ela por um motivo ou por outro, não poder me buscar, eu ficava mais tempo recluso. O resultado disto foi que traí a confiança de minha mãe, fazendo coisas as quais ela condenaria severamente. O vício do fumo foi uma delas. E isto era apenas o começo para o que viria mais tarde.


Bem amigos, por hoje é só. Espero vocês na 3ª parte de minha história. Um grande abraço.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

COMO É BOM VIVER


Meus amigos hoje eu quero iniciar uma narrativa que espero possa servir de alento para aqueles que neste momento estão passando por alguma dificuldade de ordem social, moral ou financeira.

Quero mostrar à vocês que apesar de todas as dificuldades que a vida impõe aos desafortunados que assim como eu nunca tiveram mordomias, tem que se seguir adiante, e que se para conseguirem seja o que for, sempre é da maneira mais difícil, o importante é conseguir. O que é difícil sempre tem mais valor. Se você abre a janela pela manhã e consegue deslumbrar o sol que invade a sua sala com o prenúncio de um lindo dia, alegre-se! Você está vivo. e enquanto há vida, há esperança.


Esta é uma sinopse da minha vida. e no decorrer da história, quem já acompanha as minhas postagens, descobrirá o porquê de toda a minha aversão pelas drogas e bebidas.


Pra começar toda a minha vida foi de sacrifícios. Nada para mim era fácil por ter tido uma infância muito pobre. Meu pai era funcionário da light, mas tinha um cargo muito humilde por ser semianalfabeto, e em vista disto seu salário era pouco dando apenas para sobrevivermos. Enquanto nós tínhamos pai, a vida não era lá estas coisas, aliás no meu entender como criança era bem ruim, pois com seu pouco salário ele não tinha como comprar brinquedos e nem roupas novas para vestirmos. Mas pelo menos seu ganho era suficiente para nos sustentar.

Felizmente não tínhamos que pagar aluguel, já que possuíamos nosso barraco próprio feito nos fundos da casa de meu avô que sendo viúvo (não conheci minha avó) cedeu parte do direito de minha mãe como herdeira de minha avó. Mas foi só isso. Meu avô nunca procurou saber se tínhamos o que comer ou não. Até porque logo assim que ficou viúvo casou-se de novo e teve mais 5 filhos.

Não era fácil! As épocas mais difíceis para mim eram as comemorativas. Mas precisamente NATAL e DIA das CRIANÇAS, por serem as datas em que se ganham presentes. Nós (eu e meus irmãos), não tínhamos este direito, e como ainda era criança não entendia o porquê. Então ficávamos no portão olhando as outra crianças exibindo suas roupas novas, e seus brinquedos recém adquiridos.

Para nós brinquedos e roupas só usadas. As roupas minha mãe dava um jeito na que ganhávamos. Muitas vezes com o manequim maior, ou com um rasgadinho aqui e outro ali. Com sua máquina de costura a pedal (na época não havia motor), minha mãe fazia milagres, remedando, fazendo bainha, ou até recortando a roupa novamente e fazendo outro molde para que ficasse na nossa medida. Podia-se assim dizer que minha mãe foi pioneira neste processo de reciclagem. Até os nosso cobertores eram feitos com retalhos das sobras dos tecidos que minha mãe usava em sua costura.

Quanto aos brinquedos, nós só ganhávamos de 2ª mão. E quando isto acontecia eles quase não tinham condições de uso pois vinham para nós em péssimo estado. Mas isso nós conseguíamos superar fabricando nosso próprio brinquedo. Naquela época havia mais diversificação nas brincadeiras. Nós brincávamos de carrinho de roda de bilha (rolimã), patinete, perna de pau, iô-iô, futebol de prego, botão e mais uma infinidade de brincadeiras cujo o brinquedo nós mesmo fabricávamos. Isto sem contar as que não necessitavam de brinquedos como: Pic, bandeirinha, lateiro, carniça e outras. Até aí tudo bem, íamos vivendo. Éramos pobre mas não passávamos fome. Isto viria a acontecer com a morte de meu pai, quando eu tinha ainda 8 anos. Aí sim! eu comecei a sentir realmente o que era privação.

Minha mãe teve 5 filhos, sendo que os (2) dois primeiros (1 casal), morreram ainda muito pequenos. Eu ainda não havia nascido pois sou o caçula dos cinco, portanto não cheguei a conhecer estes 2 irmãos. Dos outros dois, um é portador de deficiência mental (retardamento), e o outro é normal. Acontece que minha mãe não tinha experiência nenhuma em trabalhar fora, pois toda a sua vida fora dedicada somente ao lar. Com a morte de meu pai ela ficou totalmente desorientada, pois se viu de uma hora para outra com a responsabilidade não só de nos sustentar como de ganhar este sustento e foi aí que começou a nossa "via crucis". Se hoje para dar entrada em um pedido de aposentadoria ou de pensão, já é complicado, imaginem naquela época, em 1962. No nosso caso foi ainda pior, pois minha mãe não tinha a menor noção de como mexer com isto. O fato é que até ela vir a receber aquele mísero benefício, nós passamos "o pão que o diabo amassou".

Como eu disse antes, a rotina de minha mãe era só caseira como lavar, passar, cozinhar, nos levar e buscar na escola. Portanto esta nova realidade a pegou totalmente desprevenida. Ela que passou a ter que ganhar o nosso sustento, não viu outra alternativa senão de usar estas habilidades para isto, além de vender alguns ovos fruto de algumas galinhas que possuíamos, ovos estes que muitas vezes ficávamos esperando a galinha "por", para termos o que comer (a gente literalmente contava com o ovo na galinha), passou também a costurar, lavar e passar para fora.

Bem! acontece que com toda esta reviravolta em nossa vida, minha mãe perdeu completamente o controle sobre nós. Eu que já era muito rebelde, desencabrestei de vez. Passei a não ir mais a escola, e mesmo com ela me levando, assim que ela virava as costas eu ia para outro lado. Mas exatamente para um lugar onde havia um cano da CEDAE furado que formava uma piscina onde a mulecada se refrescava. Só que este lugar era perigoso, muitas crianças morriam afogadas, tragadas pelo cano que ficava embaixo d´água, e que de vez em quando aspirava chupando para dentro dele tudo que estivesse próximo. Por essa razão assim que minha mãe tomou conhecimento desta minha travessura, e vendo que já não conseguia mais me manter sobre controle, não viu outro jeito senão o de me internar. A exemplo do que já tinha feito com meus dois irmãos. Um no colégio interno e o outro no hospital psiquiátrico Dr. EIRAS.

Não preciso dizer que para mim foi o fim. Acostumado a liberdade, e já desde pequeno a fazer o que quisesse, pois minha mãe nunca teve voz ativa comigo (talvez por ser o caçula ela passasse mais a mão pela minha cabeça), e de repente me vejo engaiolado, preso a um sistema só comparado hoje em dia a um estabelecimento prisional. Com isto minha rebeldia cresceu mais ainda, e se por um lado eu era castigado por falta de disciplina, coisa que eu nunca aprendera em casa, por outro eu também transformei a vida deles num inferno, brigando, fugindo e extravasando de alguma forma a minha revolta.


Bem! hoje eu fico por aqui, mas eu volto com a 2ª parte da história.


Obrigado amigos e Tchau.