A juventude brasileira vem dando um show de civismo ao sair às ruas para exigir dos governantes um basta em todos os desmandos que vem ocorrendo nos últimos tempos.
A princípio acreditava-se que o motivo de tamanha movimentação devia-se ao recente aumento das passagens de ônibus em todo o país, e que veio a agregar também ao aumento das passagens dos trens e metrôs, isto desencadeou um manifesto de tamanho imensurável, mas com o sucesso do protesto que conseguiu reunir mais de 1.000.000.00 de pessoas em todo o Brasil, a população, na sua maioria jovens, aproveitou para colocar em pauta toda a insatisfação contida com a classe política, na forma de reivindicações visando:
– As melhorias nos serviços públicos (principalmente hospitais);
– o fim do foro privilegiado para algumas categorias;
– veto ao projeto do Ato Médico e melhorias nos transportes.
Além disto os manifestantes exigiram também, a rejeição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37 que tira poder de investigação do Ministério Público ( proposta já votada e rejeitada), a aprovação da PEC que prevê o fim do voto secreto, mais investimentos para a saúde, a educação e a segurança pública, além da criação de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar possível superfaturamento das obras da Copa.
Este gesto, mesmo para quem viveu o regime da ditadura em que as manifestações eram constantes, surpreendeu pela sua magnitude, e criatividade, não precisou de lideranças com auto-falantes incitando a multidão, cada um trazia um cartaz ou facha que exprimia a sua insatisfação com determinados deslizes do governo. Infelizmente houve episódios (e continuam havendo) de depredações numa demonstração clara de vandalismo que tentaram (tentam) manchar o ato, mas que notoriamente se vê que são episódios isolados em que uma minoria infiltrada entre os manifestantes tentam criar um clima de terrorismo depredando patrimônios públicos e privados, provocando incêndios e enfrentando a polícia. Vale aqui lembrar que a atitude destas pessoas já as caracterizam como marginais, e como tais deverão ser tratadas na forma da lei.
Em um país em que todos os direitos do cidadão são transgredidos de forma desumana e arbitrária, nada como lembrar alguns destes direitos. Aí vão:
- Toda pessoa tem o direito de ir e vir, sem ser molestada.
- Toda pessoa tem o direito de ser tratada pelos agentes do Estado com respeito e dignidade.
- Toda pessoa tem o direito de ser acusada dentro de um processo legal, sem torturas e maus tratos.
- Toda pessoa tem o direito de exigir o cumprimento da lei.
- Toda pessoa tem o direito de ter acesso ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
- Toda pessoa tem o direito de ser, pensar, crer e manifestar-se ou amar, sem ser alvo de humilhação ou discriminação.
- Toda pessoa tem o direito de ter acesso à escola.
- Toda pessoa tem o direito de ter acesso à saúde.
- Toda pessoa tem o direito de praticar a religião que escolher.
- Toda pessoa tem o direito de ter acesso ao trabalho, sem discriminação por doença, deficiência, sexo, cor, religião.
- Toda pessoa tem o direito de obter certidão de nascimento e certidão de óbito, gratuitamente.
- Toda pessoa tem o direito à ampla defesa.
- Toda pessoa tem o direito de não ser torturada.
- Toda pessoa tem o direito de não sofrer discriminação.
- Toda pessoa tem o direito de ter preservado a sua integridade física e mental.
- Toda pessoa tem o direito a ter acesso ao lazer.
- Toda pessoa tem o direito à previdência social.
- Toda pessoa tem direito ao amparo à maternidade e à infância.
- Toda pessoa tem o direito de ser tratada com igualdade, perante a lei.
- Toda pessoa tem o direito de ser tratada como inocente, a menos que seja condenada judicialmente.
- Toda pessoa tem o direito à propriedade.
- Toda pessoa tem o direito de fazer reuniões, desde que sejam pacíficas.
- Toda pessoa tem o direito de ter segurança.
“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação uma às outras com espírito de fraternidade”.
(artigo I, Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamados pela Resolução nº217 (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, 10 de dezembro de 1948).
Enfim, como pudemos ver acima, leis não faltam para amparar o cidadão, só que na prática não funcionam, restando apenas o grito uníssono da população para que sejam ouvidos, em uma desesperada tentativa de fazer valer a sua cidadania.
Até a próxima!

Nenhum comentário:
Postar um comentário