Como assim?
Bem, pra começar aqui no no nosso país ninguém tem o direito de ficar doente, e se ficar tem que ser com dia e hora marcada, tipo... hum! – Deixa eu ver se posso ficar doente na terça; Não! – Acho que vou ligar primeiro pra emergência pra saber se tem médico, senão vou ter que ficar doente novamente outro dia. – E se tiver médico mas não tiver medicamento? – É melhor deixar pra ficar doente depois que receber o pagamento.
É gente, seria cômico se não fosse trágico. Na atual conjuntura (não querendo ser melodramático, mas já sendo), ficar doente no Brasil significa estar com um pé dentro e outro fora da cova; e digo isto sem medo de estar exagerando pois a pouco tempo os meios de comunicação noticiavam o caso de uma médica que provocava a morte de pacientes em UTIs do Hospital Evangélico de Curitiba. "Aqui não é Deus que decide quem vive ou quem morre, sou eu" eram as palavras da médica.
Esta é a realidade da saúde brasileira, o desrespeito pela vida humana é uma constante no cotidiano dos hospitais do país. Não dos profissionais da medicina como é o caso da médica acima citada, mas dos órgãos de saúde pela precariedade de estrutura básica mínima exigida como: falta de leito nas UTIs, falta de especialistas, falta de medicamentos e de material cirúrgico, falta de condições de higiene...enfim um conjunto de coisas que muitas das vezes obrigam os médicos a terem que escolher, quem vive, e quem morre. Digo isto porque recentemente um amigo que precisava transferir sua sogra de 87 anos internada com água nos pulmões em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), para um hospital próximo de sua casa para ficar mais fácil aos familiares visitarem e ficarem junto a ela, não conseguiu em razão de sua idade avançada e pelo fato dela estar entubada. Esta senhora veio a falecer mais a principal razão foi, e é: – se existir um leito de UTI vago e precisarem deste leito duas pessoas uma de 20 e a outra de 80 anos, a prioridade é para a pessoa de 20 anos com a alegação de que esta pessoa ainda tem muito para viver, enquanto a de 80 já viveu o suficiente. Gente! Este é o critério mais esdrúxulo que já tive ciência, não é para ter escolha, é para ter os 2 leitos, todos têm direito a vida.
Amigos eu não sou expert em muitos assuntos que posto aqui, e saúde pública é um deles; mas todas as minhas publicações quando não são apenas divagações minhas, são pesquisadas a fundo, que é para que eu não cometa nenhuma injustiça.
Então a pergunta é: como pode chegar a este ponto de degradação um país tão rico, a ponto de sediar 4 megaeventos de orçamentos astronômicos? (só a copa de 2014 e a das confederações irão custar aos cofres públicos a bagatela de R$ 32,5 Bilhões), chegando as raias do "surreal", mais R$ 118 milhões que serão gastos com a vinda do Papa na Jornada Mundial da Juventude, além de R$ 29 bilhões previstos para as Olimpíadas de 2016. – Eu falei previstos! Porque segundo estimativas mais otimistas esta quantia pode dobrar, eu disse otimista porquê se for comparar com o orçamento do PAN cujo as previsões eram pouco mais de R$ 400 milhões e no final fechou perto dos R$ 3,8 bilhões, a diferença foi de quase 10 vezes mais.
Gente! Pode haver de tudo nas três esferas do governo, podem abusar dos adjetivos para se referirem a classe política, só não podem chamá-los de burros. Esta palavra não existe no meio político. Usando um termo antigo, o menos inteligente dá nó em pingo de éter.
– Raciocinem comigo: Vocês acham que o governo iria investir estas somas imensuráveis sem a certeza de um retorno seguro e significativo? Claro que não! E isto até é louvável, ou seria se este retorno viesse em forma de legado para a população que vendo o dinheiro dos seus impostos serem bem aplicados, não se importaria com a quantia investida. Mas como não vemos este retorno, como demonstra a situação da saúde aqui citada, da segurança, da habitação, da educação, do lazer, e da cultura, então para onde este dinheiro está indo?
Quando se fala em bem público nunca se tem dinheiro, e o que se vê são um escândalo após outro envolvendo desvio de verba (é só pesquisarem os últimos 40 anos, que ficarão de cabelo em pé.) Esta história já colou, só que agora o povo está mais esperto, eu acho até que sempre esteve esperto só que calavam a boca ludibriados por "programas sociais" que cada governo que entrava implantava como manobra para manter o povo calado e garantir os votos nas eleições. Assim, entre ter esta pseudo-ajuda e não ter nenhuma optavam por estas esmolas. Será que agora vai ser diferente?
Apesar dos rombos que os cofres públicos vem sofrendo desde o tempo imperial, quando surrupiavam nossas riquezas a bel prazer, o país ainda está muito longe de estar falido, mas estranhamente ocupa uma posição de décimo lugar no ranking do IDH (índice do desenvolvimento humano) ficando abaixo de países como: Perú, Venezuela, Costa Rica e por aí vai...o povão cada vez mais pobre, muitos abaixo da linha da miséria, e uma minoria com tanto dinheiro que se tivessem "como gato" 10 vidas não conseguiriam gastar tudo.
Amigos, estou ilustrando este comentário falando da saúde, mas a coisa é muito mais complexa; no meu ver acho que a educação é um dos fatores preponderantes. Eu falo da didática tanto nas escolas como em casa, principalmente a de casa.
Veja bem, um povo sem educação é um povo que ignora, e sem conhecimento é facilmente manipulável; é como um analfabeto que vê as letras mas não consegue decifrá-las, e a sua ignorância tem efeito colateral na criação dos filhos por não conseguir prepará-los para a vida, jogando-os como ovelhas atiradas aos lobos, em um mundo frio, cruel e implacável, surgindo assim uma geração destituída de valores, que se miram em exemplos de corrupção como a forma mais rápida de ascensão.
Na falta de conhecimento o maior agravo é justamente a pessoa não saber dos seus direitos, ficando assim mais vulnerável a toda sorte de enganação por parte de inescrupulosos que vêm aí a oportunidade de ludibriarem o indivíduo em seu favor.
Com educação tudo fica mais fácil, é um novo horizonte, portas se abrem e as oportunidades se apresentam.
Se todas estas propostas exigidas nestas manifestação que tomaram as ruas, se concretizarem, e o governo voltar sua administração efetivamente para o povo, se toda a arrecadação de impostos forem revertidos em serviços de qualidade, e os responsáveis pela coisa pública apresentarem mais transparência em suas prestações de contas...seguramente este será um país bom pra se viver.
Vitória para todos nós!
Abraços!

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