quinta-feira, 8 de novembro de 2007

COMO É BOM VIVER 2


Alô amigos! Demorei mas estou de volta. E hoje trago a 2ª parte de alguns trechos de minha vida que estou apresentando como exemplo, para que vá de encontro a alguém que esteja passando pelas mesmas coisas que eu passei, e ache que a vida não vale a pena.


Continuando a postagem anterior, apesar de extravasar toda a minha revolta brigando e fugindo do colégio interno, nada disso adiantaria. Toda vez que eu fugia minha mãe me levava de volta, e devido a todas estas minhas traquinagens fui separado dos outros alunos para não exercer má influência sobre eles. E com isso o tempo foi passando e querendo ou não, aos trancos e barrancos consegui terminar o fundamental (na época primário), e com 12 anos saí do colégio. Isto foi para mim a maior felicidade. Eu só não sabia o quanto estava errado.


Naquele tempo o país era regido pelo "regime militar", por isso a forma de educar nos colégios era outra. Existia a matéria "moral e cívica" que ensinava os deveres morais do cidadão para com a sociedade e seu país. Na abertura das aulas nós éramos obrigados a entrar em formação (como os militares), e cantar o hino nacional e o da bandeira. E não havia como alegar que não sabia, pois todos os cadernos vinham impressos na última capa as letras destes hinos assim como seus devidos autores.


Em razão disto nos era passada uma visão de "direita", e se mais tarde já com outra ótica alguém discordasse e manifestasse este descontentamento, era tratado como um revolucionário um subversivo, sofrendo quando preso as piores torturas, quando não era levado para algum lugar de onde nunca mais seria visto. Não vou enaltecer aqui estas práticas. Mas se o remédio era amargo, o efeito era eficaz. Havia mais ordem no país.


Vejam bem amigos! Antes de minha mãe me internar o meu futuro era incerto, pois da maneira que eu caminhava, sem que quisesse estudar, e me misturando com outros iguais ou pior que eu, não havia perspectiva alguma que eu viesse a ser alguém do bem. E foi o que aconteceu. O colégio apenas retardou o que já era inevitável. Se ao sair do colégio eu pelo menos usasse como base os seus ensinamentos, talvez meu destino tivesse sido diferente. Pois mesmo com seus métodos poucos ortodoxos, a coisa funcionava. E eu aprendi em 3 anos e meio lá dentro, o que levaria 10 para aprender aqui fora. Tudo era minuciosamente cronometrado. Tinha hora para tudo. Desde que acordávamos e entrávamos em forma (ficar em fila), para escovar os dentes e tomar banho, até quando íamos dormir quando tínhamos que entrar em forma novamente para a chamada (isto era feito para verificar se não faltava ninguém, mas algumas vezes faltava... eu).


Por essa razão, quando saí do colégio interno deparei com uma realidade totalmente diferente. Eu já não tinha comida na hora certa, muitas vezes nem comida tinha. Quadro que mudou um pouco quando meu irmão começou a trabalhar e ajudar em casa. O seu salário era um pouco para ajudar em casa, e um pouco para suas despesas pessoais, que na época eram comprar um corte de tecido e mandar fazer uma camisa ou calça da moda (no meu tempo isto era o status do momento), ir ao baile ou ao cinema com a namorada, passeio e outras coisas pessoais que não convém citar aqui. Bem! com o seu trabalho resolveu-se em parte o problema de alimentação, e seu problema de vestimentas e lazer. Mas o dinheiro era dele. Ele não iria tirar do que ganhou com o seu suor, para me dar sem mais nem menos. Em vista disto eu continuei na mesma situação. Só um pouco diferente. Ou seja! Eu já não passava fome e nem usava roupas dos outros, e sim do meu irmão quando ele já não as queria mais, ou que já estivessem fora de moda. Além disso nós tínhamos uma tia, irmã de meu pai, que ajudava em alguma coisa. Claro que em troca também de alguns favores como: Ir no armazém comprar algo; ajudá-la na limpeza da casa vasculhando o teto ou limpando a fossa, e mais alguns afazeres que em virtude de sua idade (ela já era idosa), ficava meio penoso para ela. Eu não achava ruim. Pelo contrário, achava até louvável esta recíproca, pois fortalecia ainda mais a ideia que eu sempre tive de que para se ganhar algum dinheiro honesto, só executando um trabalho honesto. Isto fazia com que eu valorizasse mais o dinheiro ganho, e também afastasse a ideia de que estávamos ganhando esmola.


Acontece meus amigos, que isto não bastava, porque nem sempre minha tia pagava com dinheiro, muitas da vezes meus serviços eram pagos com um bocado de comida, fubá ou pó de café, enfim! O que ela tivesse a disposição no momento. E eu necessitava de outras coisas. Devo lembrar que eu tinha na época 13 anos, portanto ainda não tinha idade para trabalhar de carteira assinada, e ia me virando como podia, catando ferro, lata, alumínio, metal. O que desse algum dinheiro no ferro velho, que me permitiria não comprar ou mandar fazer roupas novas, mas ir ao cinema, tomar refrigerantes e "comprar cigarros" nem que fosse a varejo.


Este hábito eu adquiri logo que estava para sair do colégio quando minha mãe já confiando um pouco mais em mim, assinou um termo de responsabilidade que permitia que nos dias de saída para passar o final de semana em casa, eu pudesse ir sozinho. Isto porque as saídas eram mensais, e pelo fato de as vezes ela por um motivo ou por outro, não poder me buscar, eu ficava mais tempo recluso. O resultado disto foi que traí a confiança de minha mãe, fazendo coisas as quais ela condenaria severamente. O vício do fumo foi uma delas. E isto era apenas o começo para o que viria mais tarde.


Bem amigos, por hoje é só. Espero vocês na 3ª parte de minha história. Um grande abraço.